Dentes de Rato

“Tinham-lhe posto o nome de «dentes de rato», porque os dentes dela eram pequenos e finos, e pela mania que ela tinha de morder a fruta que estava na fru­teira e deixar lá os dentes marcados.”
Apr 24

“Tinham-lhe posto o nome de «dentes de rato», porque os dentes dela eram pequenos e finos, e pela mania que ela tinha de morder a fruta que estava na fru­teira e deixar lá os dentes marcados.”

“Lourença tinha três irmãos. (…)
Artur, o mais velho, que tinha uma vida misteriosa, como todos os rapazes de doze anos; Falco, que era Francisco, e ainda fazia toda a espécie de asneiras (…). E, por fim, o terceiro, uma rapariga, muito mais velha e que se parecia extraor­dinariamente com uma pessoa adulta.”
Apr 24

“Lourença tinha três irmãos. (…)

Artur, o mais velho, que tinha uma vida misteriosa, como todos os rapazes de doze anos; Falco, que era Francisco, e ainda fazia toda a espécie de asneiras (…). E, por fim, o terceiro, uma rapariga, muito mais velha e que se parecia extraor­dinariamente com uma pessoa adulta.”

“O tio António tinha o dom de convencê-la. Era um homem novo que aparecia raramente e que tratava os sobrinhos como se fossem sacos de batatas.”
Apr 24

“O tio António tinha o dom de convencê-la. Era um homem novo que aparecia raramente e que tratava os sobrinhos como se fossem sacos de batatas.”

“Lourença, aos seis anos, sabia muitas coisas que ninguém sus­peitava. Guardava-as para ela, porque as pessoas que nos conhe­cem de perto não são capazes de nos levar a sério (…) o próprio pai baixava o jornal para olhar para ela de maneira divertida. Lourença não compreendia como os adultos tratavam a gente pequena daquela maneira: como se fosse só números de circo e mais nada.”
Apr 24

“Lourença, aos seis anos, sabia muitas coisas que ninguém sus­peitava. Guardava-as para ela, porque as pessoas que nos conhe­cem de perto não são capazes de nos levar a sério (…) o próprio pai baixava o jornal para olhar para ela de maneira divertida. Lourença não compreendia como os adultos tratavam a gente pequena daquela maneira: como se fosse só números de circo e mais nada.”

“No Carnaval (…) às vezes, Marta deixava que Lourença se fantasiasse com as roupas dela e ela parecia uma cigana. Para fazer melhor efeito, Falco pintou-a com tintura de iodo diluída em água, dizendo que era assim que Marta se fazia morena, duas semanas antes de ir para a praia.”
Apr 24

“No Carnaval (…) às vezes, Marta deixava que Lourença se fantasiasse com as roupas dela e ela parecia uma cigana. Para fazer melhor efeito, Falco pintou-a com tintura de iodo diluída em água, dizendo que era assim que Marta se fazia morena, duas semanas antes de ir para a praia.”

“Ela dormia no mesmo quarto com a irmã e tinha a sua maneira de viver só, mesmo com Marta a ocupar todo o espaço. Ela enchia tudo com os seus frascos, roupas de baixo e de cima, cartas, revis­tas e escovas.”
Apr 24

“Ela dormia no mesmo quarto com a irmã e tinha a sua maneira de viver só, mesmo com Marta a ocupar todo o espaço. Ela enchia tudo com os seus frascos, roupas de baixo e de cima, cartas, revis­tas e escovas.”

”(…) nesse dia da semana havia feira da lenha no terreiro em frente ao hospital e elas tinham de passar por lá. Os carros carregados de lenha para os fogões vinham dos arredores e eram puxados por bois amare­los. Tinham chifres tão grandes e estavam tão chegados no campo da feira, que se ouvia sempre um ruído de paus. Lourença tinha muito medo dos bois.”
Apr 24

”(…) nesse dia da semana havia feira da lenha no terreiro em frente ao hospital e elas tinham de passar por lá. Os carros carregados de lenha para os fogões vinham dos arredores e eram puxados por bois amare­los. Tinham chifres tão grandes e estavam tão chegados no campo da feira, que se ouvia sempre um ruído de paus. Lourença tinha muito medo dos bois.”

“Lourença entrou para as primei­ras letras, e houve uma certa confusão com ela. Sabia demais, mas não tinha feito exame nenhum. As professoras olhavam para ela com aborrecimento. Preferiam que ela fosse ignorante e que começasse pelo princípio. Experimentaram deixá-la na primeira classe, mas Lourença lia tão bem e estava tão segura de si que incomodava a professora.”
Apr 24

“Lourença entrou para as primei­ras letras, e houve uma certa confusão com ela. Sabia demais, mas não tinha feito exame nenhum. As professoras olhavam para ela com aborrecimento. Preferiam que ela fosse ignorante e que começasse pelo princípio. Experimentaram deixá-la na primeira classe, mas Lourença lia tão bem e estava tão segura de si que incomodava a professora.”

"por Mariana Costa"

Apr 24